quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

No asfalto

Quando pensei na criação deste espaço imaginei viajantes que não sabem o que levar em uma viagem longa ou o que fazer com seus veículos antes, durante e depois dos passeios, ou ainda, onde se hospedar, o que comprar, onde ir etc. Durante os dias em que estaremos passando por terras estranhas, tanto em cima de uma moto, quanto dentro de um carro, precisamos ter algumas posturas que possam ajudar a convivência durante esse período e torná-lo mais prazeroso possível. Vai aqui algumas dicas para esses marinheiros de primeira viagem:

1 - Trace um plano de viagem com bastante antecedência, pelo menos três meses, do local de saída até o de chegada e vice-versa. Investigue as cidades por onde vai passar, a estrutura que elas oferecem, as datas festivas. Pergunte às pessoas que conhecem estas cidades o que elas acharam, qual a impressão delas. Leia os relatos de viajantes em sites na internet.

2 - Estabeleça uma quilometragem a ser percorrida diariamente e tente segui-la. Respeite os limites do seu corpo e das rodovias. Se puder faça um teste realizando uma viagem longa parando apenas para abastecer o veículo. Estabeleça um prazo que possa ser realizado, viajar deve ser um ato de prazer e não de correr. Você vai querer parar muitas vezes para admirar a paisagem, tirar fotos ou simplesmente esticar as pernas. Calcule paradas de aproximadamente 10 minutos a cada 150 KM, principalmente para quem for de moto. Lembre-se que imprevistos podem ocorrer, então adicione mais alguns minutos como margem de segurança. Tente fazer com que sua jornada diária não ultrapasse as 17 horas. Viajar no período da noite é mais perigoso, em todos os sentidos. 

3 - Adquira um bom GPS. Acredite, este equipamento facilita muito qualquer viagem e lembre-se de atualizá-lo antes de partir. Se puder faça cópias em papel dos mapas dos percursos planejados, segurança nunca é demais. Leve cabos e carregadores sobressalentes do GPS, do celular, da câmera e de outros equipamentos eletrônicos que levar. Se tiver, leve a nota fiscal destes aparelhos. Adquira também acessórios para carregar estes equipamentos no veículo e cartões para armazenar as fotos. Se for de moto instale um carregador apropriado para este veículo, são baratos e fáceis de instalar.

4 - Poucos dias antes de viajar faça uma revisão geral do veículo. Avise seu mecânico que realizará uma viagem longa. Não economize nesta revisão, sua vida e as de outras pessoas dependem do bom funcionamento do veículo. Calcule a distância percorrida de ida e volta e acrescente mais 20%. Com base nesta distância verifique o que será necessário para o veículo. Não faça a revisão muito em cima da hora. Se tiver algo de errado no veículo, mesmo depois da revisão, você terá tempo hábil para resolvê-lo. Quando voltar da viagem faça outra revisão no seu carro ou moto, ele continuará sendo seu veículo de transporte. 

5 - Para a viagem leve o mínimo possível de roupa. Certamente encontrará muita coisa boa, de qualidade e barata pelo caminho. Quanto mais espaço tiver, mais poderá comprar. É bom levar uma roupa de frio, no nosso país o tempo muda, radicalmente, de um estado para o outro. Não esqueça os utensílios de uso pessoal como higiene e sapatos confortáveis. Faça uma pequena farmácia com medicamentos básicos ou de uso contínuo, se for seu caso, material para pequenos curativos etc. Para os motociclistas uma capa de chuva é indispensável, mesmo que esteja com roupas adequadas (jaquetas, calças, botas e luvas). 

6 - Na estrada preste muita atenção nos limites de velocidade máxima das vias. Em pistas molhadas ou com chuva o risco de acidente é maior. A pressa é inimiga dos viajantes. Como já disse uma viagem deve ser um momento de prazer, alegria, aprendizado. Devagar você poderá ver os detalhes que farão de sua viagem um momento inesquecível. É melhor diminuir o trajeto de sua viagem do que interrompê-la. Deixe dinheiro trocado, com moedas, em local fácil. As estradas brasileiras estão recheadas de pedágios.

7 - Para os motociclistas, com pouquíssimo espaço, a atenção deve ser ainda maior, pois trata-se de um veículo mais vulnerável. Levar alguns itens para pequenos reparos e um kit de ferramentas mais completo diminui, ainda mais, o espaço destinado para a bagagem. Manter a corrente engraxada e realizar as trocas de óleo, entre outros, exigirá do piloto a reserva de um espaço extra para transporte desse material e das ferramentas adequadas.

8 - Os custos de uma viagem deixam os viajantes de cabelo em pé. Quando pensar nos valores gastos por pessoa e por dia, leve em consideração o tipo de acomodações e das refeições que pretende. A diária de um hotel ou pousada pode variar muito de preço, muito mesmo. Se puder, faça reservas com antecedência. Calcule seus gastos da seguinte maneira. Some os valores (uma média) das acomodações com o das refeições (das três) e multiplique pelo número de dias que for passar fora de casa. A esse valor acrescente mais 20% e terá uma margem de segurança. Quanto à manutenção do veículo e combustível verifique qual a média de consumo dele; pegue a provável distância percorrida (ida e volta) e divida pelo consumo, por exemplo: a distância será de 5.500 km e o consumo é de 12 km/h, dividindo 5.500km por 12 km/l = 458,33 litros, que é a quantidade de combustível (aproximada) que o veículo vai consumir. A gasolina custando R$ 3,70 vai dar um custo aproximado de R$ 1.695,83 que podemos arredondar para R$ 2.000,00 reais, já acrescidos dos 20%. Eu recomendo que se faça sempre um acréscimo de 20% no valor total dos custos, que serve para cobrir uma possível despesa não programada, como já disse, uma margem de segurança.

De resto é aproveitar as paisagens, as culturas e tudo que um bom passeio pode nos proporcionar. Espero que essas dicas possam ajudar a fazer de sua viagem aquilo que você espera, sem percalços, nem surpresas desagradáveis. Uma ótima viagem a todos.


Dia 12 de janeiro de 2016

Saímos de Aracaju às 6 da manhã, pegamos a BR 101 até Feira de Santana e entramos na BR 116. Estrada ótima a 116, bem sinalizada e boa parte já duplicada, claro pedagiada, ao contrário da 101 que só está duplicada de Aracaju até Estância, cerca de 70 km. Quatro postos com valores individuais de R$ 3,70. Meu automóvel é um Fiat Grand Siena 1.6 Essense Dualogic que fez o primeiro percurso, aproximadamente 720 km,  com uma média de 14,5 km/l. Nos hospedamos no Hotel Solar Vitória na avenida Juracy Magalhães, próximo ao Shopping Vitória Sul, em Vitória da Conquista na Bahia.


Dia 13 de Janeiro de 2016

Pegamos a estrada cedinho novamente e logo saímos da Bahia e entramos nas Minas Gerais. Atá a divisa a estrada, BR 116, está em excelentes condições, o pedágio está funcionando. Em Minas alteramos nossa rota, no entroncamento de Pirapora seguimos à esquerda e aumentamos nosso caminho, entrando à direita em Corinto. Pegamos uma estrada muito ruim, 40 km de puro barro à beira de despenhadeiros entre Virgem da Lapa e Acauã, a MG 677. Seguimos até Diamantina que nos recepcionou com uma neblina densa e uma temperatura de 18 graus. Uma cidade belíssima, dispensa qualquer comentário. Lamentamos apenas a chuvinha que não deixou que pudéssemos ver mais dessa cidade histórica.


Dia 14 de Janeiro de 2016

A próxima parada foi a cidade de Araxá, ainda em Minas Gerais. Um dia de muita chuva e estradas meia boca, repletas de curvas perigosas, apesar de pedagiadas. Acho que as fortes chuvas dos dias anteriores pioraram, ainda mais, as condições da via. Mas valeu à pena chegar na barragem Três Marias, ainda muito abaixo do nível normal, e almoçar um peixe delicioso às margens do Rio São Francisco.


Dia 15 de Janeiro de 2016

De Araxá seguimos para Uberaba, ainda debaixo de chuva e dirigindo por estradas extremamente perigosas. Passamos pelo rio Tietê, muito cheio e diferente do Tietê que passa pela capital paulista. Em seguida Barretos, onde paramos no posto Barretão. Ótima comida, excelente estrutura. Rumamos para Marília, nosso último pernoite antes de chegarmos a Foz do Iguaçu. Estradas boas, muitos pedágios, caros. O tempo ajudou bastante pela tarde.


Dia 16 de Janeiro de 2016

Rumamos para Foz logo cedo, cerca de 660 km. Boas estradas tanto no estado paulista quanto no paranaense e claro, ambas pedagiadas com valores chegando a R$ 16,00. No nosso destino ficamos no Hotel Ambassador, muito bom com o básico, ar condicionado, frigobar, internet, piscina e garagem fechada e ótimos preços. Os passeios são magníficos: a Usina de Itaipú, o Parque Nacional do Iguaçu com as Cataratas, Porto Iguaçu na Argentina. Já Ciudad de Leste não vale mais pelas compras, com o dólar a R$ 4,00 definitivamente não vale, talvez só para conhecer a muvuca. O ponto negativo em Foz do Iguaçu foi o Marco das três fronteiras brasileiro, em obras e ainda precisamos pagar para ter acesso, inclusive o estacionamento. Já o argentino é muito organizado, bonito, repleto de opções de lojinhas de artesanato, com as famílias presente e o melhor, de graça.


Dia 20 de Janeiro de 2016

Começamos nosso retorno às 7:00 indo direto para a cidade de Assis, em São Paulo. O mesmo caminho da ida, boas estradas. A cidade de Assis apresenta uma estrutura turística muito acanhada. Ficamos no Apart Hotel Sollar, um apartamento com dois quartos, geladeira, TV, internet e garagem fechada.


Dia 21 de Janeiro de 2016

De saída de Assis tínhamos como meta chegar a Três corações (660 km), mas com o dia claro às 17:30 continuamos até Lavras (780 km). Estradas em boas condições, até mesmo as não pedagiadas, mas muito perigosas, muitas curvas e poucos postos de gasolina. Na divisa de São Paulo com Minas Gerais duas cidades surpreendentes: do lado paulista Águas da Prata, uma cidade linda, bastante arborizada, um rio passando pelo centro da cidade, cachoeiras no parque, um encanto, vale muito conhecê-la. Do lado mineiro a conhecida Poços de Caldas, muito bonita, dispensa comentários. O ponto negativo de Poços de Caldas é o monotrilho instalado há cerca de 30 anos que nunca foi utilizado. Um desperdício de dinheiro público que aliás, devíamos estar acostumados. Em Lavras ficamos no Mazza Hotel, no centro, um prédio antigo mas com os convenientes necessários e um preço razoável.


22 de Janeiro de 2016

Saindo de Lavras fomos para São João del Rei, belíssima cidade com igrejas e outros monumentos para visitar. Depois Ouro Preto, lotada de turistas e estudantes da UFOP. Reserve pelo menos um turno do dia para comprar na feirinha de artesanato e outro pra conhecer a parte central da cidade. Continuaram as estradas perigosas, mas em bom estado de conservação, cheias de curvas e poucos postos de gasolina. Paramos em um hotel na beira da estrada no município de Realeza.


23 de Janeiro de 2016

Logo cedo saímos rumo a São Mateus no Espírito Santo. Mais uma vez nos deparamos com estradas cheias de curvas, perigosíssimas, com poucos postos de gasolina, mas todas em bom estado de conservação. Hoje uma chuva fraca, mas insistente, nos perseguiu durante todo dia. Em São Mateus também ficamos em um hotel à beira da estrada. Garagem coberta, internet, ar condicionado e TV.


Dia 24 de Janeiro

No horário de costume rumamos para Ilhéus na Bahia. Passamos pela capital do Espírito Santo e fomos até Ilhéus. Na maior parte do trajeto, principalmente no estado da Bahia, as estradas são perigosas, muitas curvas, mas sinalizadas. Em alguns trechos houve deslizamento de terra. Pra ser sincero não gostei de Ilhéus. Vezúvio, Bataclã e só. As praias do sul são violentas e com pedras e as da cidade são muito sujas. Decidimos dormir em Itabuna, cerca de 30 km distante e ficamos no Príncipe Hotel, vizinho do rio, muito aconchegante, e excelente preço.


Dia 25 de Janeiro de 2016

Último dia, acordamos um pouco mais tarde, tomamos nosso café, excelente por sinal, e rumamos para Salvador pela costa do Cacau e do Dendê. Estradas precárias, estreitas e sem acostamento, alguns buracos e muitas curvas. As cidades por onde passamos apresentavam pouca sinalização indicativa de direção, distância etc. Talvez pelo excesso de chuvas observamos ruas bastante castigadas e necessitadas de urgente intervenção do estado. Uns 5 km antes de Valença almoçamos no Recanto do Luís, uma mariscada dos deuses, recomendo. Chegando em Itaparica enfrentamos uma fila de três horas e meia em plena segunda feira no ferry boat.
Foram mais de 6.500 km rodados em 5 estados, rodovias federais e estaduais, asfalto de excelente qualidade, na maioria do tempo e uma rodovia estadual em situação deplorável no estado de Minas Gerais. Erros e acertos que nos proporcionaram conhecer cidades encantadoras e lugares deslumbrantes. Meu carro, um Grand Siena 2016 1.6 Dualogic, fez uma média de 14 km/l e não tivemos nenhum problema , apenas o ar condicionado ficou muito fraco em Uberaba e de acordo com o técnico que resolveu o problema, a pressão do gás estava muito baixa. Nada que R$ 60,00 e 40 minutos parados não resolvessem. Enfim, foram 11 dias maravilhosos de muito calor e descobertas de um Brasil encantador e cheio de novidades.

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